“A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
“Não sabia que cabia tanta falsidade dentro das pessoas.
“Ela não é daquelas que você encontra com um mini-vestido na balada, na verdade, nem pra balada ela vai. Ela não é daquelas que bebem uma contigo ou que é chamada de gostosa, sequer chama atenção. Ela não é daquelas que ficam com dez ou vinte no mesmo dia, ou que bebem até cair e não se lembram de nada no dia seguinte. Ela não é daquelas que tem uma auto-confiança que beira a arrogância ou daquelas que correm atrás e imploram pelo seu amor, como você está acostumado. Ela não é daquelas que mudam o jeito ou fingem gostar de algo só pra te agradar… Mas quando você está se sentindo perdido e sozinho, precisando de carinho, é ela que está do seu lado. Ela é aquela que faz seu coração palpitar quando sorri, aquela que pisa duro quando você se declara, tentando disfarçar a timidez e torcendo pra você não perceber a falta do que falar. Ela é do tipo que sorri de cabeça baixa e desvia o olhar quando se encontra com o seu. Ela não é “daquelas”, porque ela é única. Ela é ela e você sabe. Ela não quer saber o quanto você ganha, ela quer saber se você ganha o dia quanto está com ela.
“Se eu pudesse usar uma metáfora, diria que abriram a janela do meu peito e tudo de bom saiu voando. Eu carrego só uma jaula suja e escura agora. Se eu pudesse usar uma metáfora, eu diria que tiraram as rodinhas dos meus pés. Eu deslizava pelo mundo. Era macio existir. Agora eu piso seco no chão, como um robô que invadiu um planeta que já foi habitado por humanos. Mas eu não posso usar metáforas porque seria drama, seria dor, seria amor, seria poesia, seria uma tentativa de fazer algo. E tudo isso seria menos.
“Eu não tenho estrutura emocional pra existir.